F-Truck

A Fórmula Truck transformou veículos de transporte de cargas em bólidos de corrida e continua quebrando conceitos e preconceitos a respeito de caminhões nas pistas. Preparados para altas velocidades (em torno de 200 km/hora), perdem totalmente as características de veículo de transporte de carga e, dentro da pista, sob controle de experientes pilotos, são verdadeiras máquinas de corrida, que exigem o máximo de todos os seus componentes, como o motor e seus agregados, pneus, sistema de suspensão e até mesmo do combustível e dos lubrificantes que utilizam.

O motor, por exemplo, chega a aumentar em três vezes sua potência após ser preparado. Além disso, é deslocado alguns centímetros para trás de seu ponto original de fixação no chassi, para tirar peso do eixo dianteiro e dar maior equilíbrio ao veículo na sua configuração para a pista. As modificações passam, ainda, pelos periféricos, como turbinas, filtro, bomba injetora (lacrada e sorteada a cada etapa e devolvida à organização ao final da corrida). O chassi é cortado e a distância entre-eixos modificada, da redução do vão livre e entre o veículo e o solo. Todo o revestimento interno da cabine, como painéis de porta e painel de instrumentos, é retirado e dá lugar a aparelhos de precisão.

História

Os primeiros protótipos dos caminhões da atual Fórmula Truck foram apresentados ao público em janeiro de 1994, no autódromo de Interlagos/SP. Na ocasião, o empresário santista de transporte de cargas, Aurélio Batista Félix, conseguiu reunir um pequeno grupo de convidados, entre eles alguns empresários do próprio setor de transporte e dois jornalistas da Revista o Carreteiro.

Na ocasião, não havia ainda um regulamento e nem tampouco a categoria era homologada pela CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo. Na realidade era apenas uma idéia, um sonho do carreteiro Aurélio Batista Félix, que já havia sentido gosto pela velocidade ao volante de um caminhão de corrida em 1987.

Grande conhecedor de caminhões, Aurélio tinha participado como piloto da 1ª Copa Brasil de Caminhões, realizada no autódromo de Cascavel/PR, em um final de semana prolongado em razão do feriado de 07 de setembro cair em uma segunda-feira. Mas a morte de um dos participantes, Jeferson Ribeiro da Fonseca, que na ocasião era piloto de competições e diretor de provas do autódromo, repercutiu em todo o País deixando no acostamento os plano de se realizar corridas de caminhões no Brasil.

Em abril de 1995, Aurélio deu o segundo grande lance de sua investida ao mundo das corridas de caminhões. No mesmo autódromo de Cascavel, ele conseguiu superlotar o circuito realizando uma corrida de apresentação com apenas seis caminhões, além de outros três que ficaram apenas em exposição. O próprio Aurélio pilotou um dos caminhões, ao lado de Renato Martins, Macarrão e outros que não fazem mais parte da Fórmula Truck.

Mas desta vez os caminhões eram outros, contavam com a segurança do santoantônio dentro da boléia – feitos com tubos de sete polegadas – e dificilmente ocorreria uma tragédia como no passado, caso viesse a acontecer algum capotamento durante a corrida. Além disso, tinham carenagem lateral em fibra, os pilotos usavam cinto de três pontos, macacão, sapatilha e capacete e os bancos eram do tipo concha, mais apropriados para competição.

Todos os caminhões utilizaram pneus diagonal da marca Firestone, que foi a primeira grande empresa a acreditar nos planos de Aurélio Batista e no futuro promissor da Fórmula Truck. A segunda corrida de apresentação foi três meses depois (em julho de 1995), no autódromo de Londrina/PR. Desta vez, nove caminhões formaram o grid de largada.

Neste mesmo ano aconteceram mais duas apresentações, em Tarumã/RS, em setembro, e em Goiânia/GO, em novembro, já com um número maior de caminhões. Nas quatro apresentações, a Fórmula Truck conseguiu levar para os autódromos cerca de 120 mil pessoas.

No ano seguinte, em 1996, a categoria retornou com mais força. Dispunha dos regulamentos técnico e desportivo. A primeira corrida do campeonato aconteceu em 28 de abril, no autódromo de Guaporé/RS, com 13 caminhões. Aconteceram dois capotamentos durante os treinos classificatórios no sábado, em intervalo de menos de 15 minutos, coincidentemente no mesmo ponto da pista. Os pilotos, Gino Pica e Clóvis Navarro, saíram ilesos, uma prova de que o sistema de segurança dos trucks estava aprovado. Na ocasião, o prefeito da cidade, Mário Antônio Marocco declarou à Revista O Carreteiro que havia 10 anos que o autódromo da cidade não recebia tanta gente para ver uma competição.

A esta altura, a Fórmula Truck já despertara o interesse de patrocinadores. A Petrobras foi a segunda grande empresa a entrar na competição. No ano seguinte, 1997, veio a Vipal. Neste ano a categoria se deslocou também para o Nordeste, o campeonato foi aberto com uma corrida em Caruarú/PE, com público de cerca de 30 mil pessoas. No ano seguinte, 1998, a cidade do agreste pernambucano foi novamente à sede da abertura do campeonato.








Informações obtidas no O Carreteiro Racing