“Mitos” freiam expansão do carro elétrico, diz chefe da Audi

O preço ainda é alto. A infraestrutura, precária. Mas não é um nem o outro o maior empecilho ao crescimento das vendas dos carros totalmente elétricos no Brasil. A falta de informação e de oportunidade de dirigir um modelo movido unicamente por baterias são os maiores limitadores à expansão desses veículos no país. A avaliação é do presidente da Audi no Brasil, Johannes Roscheck. No momento que a montadora alemã anuncia o começo das entregas dos primeiros modelos e-tron no país, o executivo diz que os “mitos” que cercam os carros elétricos precisam ser esclarecidos, ao mesmo tempo que é preciso dar oportunidades para que o consumidor brasileiro “experimente” esses carros.

Ontem, a Audi e a geradora francesa de energia elétrica Engie anunciaram uma parceria para instalar 200 pontos de carregamento de carros elétricos em várias cidades do Brasil. A iniciativa faz parte da estratégia da chegada do e-tron, o modelo 100% elétrico da Audi, que começa a ser entregue em abril. A montadora já participa de um projeto de infraestrutura em parceria com a EDP e outras marcas do grupo Volkswagen , mas em um modelo diferente. Hoje no país existem 344 pontos de recarga de várias marcas. Os primeiros carregadores começam a ser instalados neste mês e o processo todo deve ser completado até 2022, com investimento de R$ 10 milhões.


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O objetivo é espalhar esses pontos por todo o país. Já as 14 concessionárias que vão usar a bandeira e-tron estarão nos Estados das regiões Sul e Sudeste, além de Pernambuco, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal. Para Roscheck, a infraestrutura vai continuar crescendo, apesar de ser um ponto de interrogação para o consumidor. “Nas nossas conversas com potenciais clientes, o receio com recarga sempre aparece como um dos pontos de preocupação. Até por isso estamos investindo nos pontos de carga”, afirmou. Segundo a Audi, 90% dos recarregamentos das baterias ocorrem na residência do proprietário.

Em relação ao custo, o executivo lembra que o segmento já tem alguns benefícios: isenção de Imposto de Importação (II), dependendo da eficiência energética pode ser enquadrado em uma alíquota de IPI menor e em alguns Estados recebe tratamento especial de IPVA. “O que existem são mitos em torno do carro elétrico que precisam ser esclarecidos”, diz o executivo. Entre eles está a crença de que o modelo elétrico provoca grande consumo de energia e tem impacto sobre a conta de eletricidade. Ou que a instalação de um carregador exige grandes intervenções no sistema elétrico de uma casa ou condomínio. A montadora garante que em edificações mais novas, que por exemplo tenham um sistema de aterramento, a instalação do carregador é simples. Já a conta de consumo de energia não sofre impacto significativo e existe grande vantagem em relação aos gastos com combustíveis tradicionais.

Pelos cálculos da Audi, na cidade de São Paulo, pelo preço da energia de janeiro, o custo para carregar 100% a bateria do e-tron ficaria em R$ 70, para rodar até 436 quilômetros. Quanto a possibilidade do consumidor experimentar os carros elétricos, a Audi montou um esquema para aproximar o cliente do seu modelo. As concessionárias com bandeira e-tron terão dois veículos para oferecer a “experiência” — palavra que se tornou um mantra hoje no setor automotivo pelo mundo — de dirigir um carro elétrico. “Aos clientes que depois de um rápido teste drive se mostrarem mesmo dispostos a comprar o e-tron será oferecido um segundo veículo para um teste maior. Pode ser um fim de semana ou mais”, conta o presidente da Audi. Importado da fábrica da montadora em Bruxelas, o e-tron está sendo comercializado no país a R$ 460 mil.

O plano da companhia é lançar 30 modelos eletrificados, entre híbridos e 100% elétricos, até 2025, dentro da meta de reduzir em 30% a emissão de gases até 2025. Até 2050 o objetivo é zerar a emissão em todo o processo produtivo, incluindo os fornecedores. “Há uma pressão muito grande sobre todo o setor, apesar de sermos responsáveis por uma parcela pequena da emissão de gases”, disse Roscheck. Leonardo Serpa, presidente da Engie Soluções, afirmou que o projeto com a Audi vai quase duplicar a atual estrutura de recarregamento de carros elétricos no país.

A empresa tem 75 mil pontos de recarga no mundo, principalmente na Europa e Estados Unidos. “Somos responsáveis por 6% da energia gerada no Brasil. Desse total, 90% é renovável. Em três a quatro anos vamos chegar a 100% renovável.” A Engie vai fornecer os carregadores, instalar e prestar todo o suporte técnico. O equipamento será importado da EVBox, fabricante holandês comprado pela Engie em 2017. Serpa disse que tem projetos semelhantes em negociação com outros clientes.

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